Dicas para caminhar melhor

Para caminhar corretamente, apóie bem o pé no chão, mesmo que uma bolha esteja atrapalhando, não pise torto. Sobrecarregar demasiadamente determinadas zonas da planta do pé facilita a ocorrência de tendinites e outros problemas físicos mais sérios.

Preste muito bem atenção ao caminho. Olhe bem aonde está colocando seus pés. Dê um passo atrás do outro sem se descuidar. Um passo mal dado pode ocasionar uma queda ou lesão que o obrigue a abandonar o Caminho. Sobretudo quando enfrentar terrenos acidentados, com desníveis e pedras soltas, fique mais atento ainda ao pisar.

Ao caminhar em companhia de alguém que tenha o passo mais ou menos rápido que o seu, de forma alguma procure acompanhá-lo. Esse é o maior problema da peregrinação em grupo. Caminhando fora de seu ritmo natural, em apenas algumas horas você estará complemente esgotado. Ao invés disso, marque lugares específicos para encontrar seus companheiros ao longo do Caminho.

Planos, subidas e descidas:  Em terreno plano, siga seu passo normal pisando corretamente e com firmeza;  ao subir, não deixe a mochila demasiadamente apertada para que sua respiração possa fluir com naturalidade. Nesses casos, seus passos serão naturalmente mais curtos, mas exageros podem tornar o trajeto mais cansativo.

“Na descida todo santo ajuda” é um ditado que não serve para longas caminhadas. É justamente nas descidas que você estará mais propenso a sofrer algum tipo de queda ou torção. O andar torna-se mais rápido e os passos mais longos o que significa que a atenção precisa ser redobrada. Apoie primeiro o calcanhar no chão e nunca a parte da frente do pé. Assegure-se de que sua mochila está bem presa na cintura para que seus ombros não fiquem sobrecarregados.

Alongamentos

O processo de se andar dia após dia, para percorrer 800 quilômetros ou mais, acaba por fortalecer determinados músculos, mas deixa fracos os que lhe são antagônicos (que são os músculos que se opõem aos esforços dos primeiros, que acabam por ficar mais rígidos). Além disso o ato de caminhar não se encontra na escala mais alta dos exercício que proporcionam flexibilidade.

Tenho notado que não é raro que, ao se iniciar uma caminhada (sem ter feito um alongamento), minutos depois se observa uma tendência à contração de certos músculos, como que se opondo ao esforço que está sendo obrigado a fazer. Tipicamente isto ocorre com a panturrilha. Se insistimos no esforço, pouco depois, a musculatura se acomoda e as coisas voltam ao normal. Mas o que será que pode acontecer se algumas coisas ocorrerem simultaneamente, tais como estarmos começando a caminhada, o tempo estiver um pouco frio e aparecer a necessidade de subir um degrau (ou uma pedra) com cerca de meio metro de altura ? Isto é: temos que fazer um esforço razoável e abrupto com o “corpo frio”.

Ora, temos os músculos antagônicos com alguns deles não fortalecidos e os outros, os fortes, ainda pouco flexíveis devido ao não aquecimento. A resposta é: perigo de lesão muscular. É bastante saudável que se separe pelo menos 5 minutos para os exercícios de alongamento antes de começarmos a caminhar.

O MÍNIMO que devemos fazer são os seguintes exercícios:

Caminhar Corretamente - Alongamentos

 

Esticar os músculos da panturrilha (barriga da perna) e os tendões de aquiles. Para isto, apoie-se em uma parede, ou outro anteparo qualquer, e vá afastando para trás, vagarosamene, cada uma das pernas com os pés completamente plantados no chão, até que sentir que as pernas começam a doer ligeiramente. Faça isso por cerca de 5 a 10 segundos e depois relaxe. Repita isto por 5 vezes.

Esticar os músculos posteriores da parte superior da perna (jarretes). Mantenha as duas pernas esticadas e levante cada uma delas até colocá-la em cima de uma mesa (mais ou menos até a altura da cintura). Escolha um local mais baixo se isto for muito alto para você. Mantenha a perna esticada e suspensa por cerca de 10 segundo e relaxe. Repita isto por 5 vezes, para cada uma das pernas.

Esticar os músculos anteriores da parte superior da perna. Mantenha as pernas esticadas e levante com a mão cada um dos pés, até que estes possam tocar a nádega do mesmo lado. Faça este movimento vagarosamente, procurando puxar o pé até que a coxa venha um pouco para trás. Mantenha o pé seguro por 10 segundos e relaxe. Faça isto por 5 vezes para cada uma das pernas.

Como dissemos, isto é o mínimo que se deve fazer. Nada impede que você trabalhe também, os músculos das costas, flexione a cintura e outros movimentos mais que você quiser. Consulte um médico para maiores informações.

O alongamento após a caminhada é também muito benéfico, na medida que pode evitar uma contração rápida dos músculos, antes submetidos ao esforço de caminhar por 16, 25, 35 ou mais quilômetros. Além disso, ajudam a eliminação dos chamados refugos metabólicos, desprendidos durante o exercício.

Tendinite

Mesmo caminhando corretamente, ou seja, sem alterar a postura corporal correta, fato é que percorreremos uma média de 25 a 30 Km por dia, com a mochila nas costas. Aparecer uma tendinite não será coisa de outro mundo ou castigo divino. Caso você procure um médico, o que deve ser feito, ele poderá lhe aconselhar a abandonar o Caminho e voltar para casa, para ficar em repouso. Porém, evite seguir este conselho ao pé da letra e preste atenção na situação real que você se encontra. Lembre-se que o Caminho de Santiago é um momento completamente diferente de sua vida cotidiana. Assim, você deve proceder de acordo com este momento, mas não esqueça da prudência.

A tendinite dói e se você não pode resistir a dor, pare de caminhar um ou dois dias para que o problema não se agrave. Procure um médico, explique sua situação e siga suas instruções quanto ao medicamento indicado. Analgésicos e pomadas anti-inflamatórias farão parte deste medicamento. Normalmente, não é permitido ao peregrino dormir mais de uma noite no mesmo refúgio. Fale com o hospitaleiro responsável pelo albergue e verifique a possibilidade de permanecer lá durante sua recuperação. Uma opção interessante para reverter a situação e transformar seu problema em aprendizado é auxiliar o hospitaleiro em suas tarefas de acolhida a outros peregrinos.