Essa semana eu vou iniciar uma série de posts que falam sobre as maiores cidades da espanha. Algumas delas são cruzadas pelo caminho e outras não. Pra começar, Santiago de Compostela, que é a meta de todo o peregrino.

A Cidade

Santiago de Compostela é a capital da Galiza, localiza-se na província da Corunha, de área 223 km² com população de 93 712 habitantes (2007) e densidade populacional de 416,70 hab/km².

É uma cidade mundialmente famosa pela sua catedral de fachada barroca para onde se dirigem os peregrinos que perfazem os Caminhos de Santiago, um dos apóstolos de Jesus Cristo, cujo corpo se diz que foi trasladado para aquele lugar.

Localização

História

No território que atualmente ocupa a catedral existia um povoado romano, que se tende a identificar como a mansão romana de Aseconia, que existiu entre a segunda metade do século I e o século V. O povoado desapareceu mas permaneceu uma necrópole que esteve em uso, provavelmente, até o século VII.

O nascimento de Santiago, como se conhece agora, está ligada à descoberta (presumível) dos restos do Apóstolo Santiago entre 820 e 835, à elevação do nível religioso dos restos, à Universidade e, mais recente, à capitalidade da Galiza.

Segundo a tradição medieval, como aparece pela primeira vez na Concórdia de Antealtares (1077), o eremita Paio alertado por luzes noturnas, que se produziam no bosque de Libredão, avisou o bispo de Iria Flavia, Teodomiro, que descobriu os restos de Santiago Maior e de dois dos seus discípulos, no lugar que posteriormente se levantaria Compostela, topônimo que poderia vir de Campus Stellae, isto é “campo de estrelas”, ou mais provavelmente de Composita Tella, “terras bem ajeitadas”, eufemismo de cemitério; ou mesmo “[Ja]Com[e A]postol[u]”). A descoberta propiciou que Afonso II das Astúrias, necessitado de coesão interna e apoio externo para o seu reino, fizera uma peregrinação que anunciou no interior do seu reino e no exterior, a um novo lugar de peregrinação da cristandade num momento em que a importância de Roma decaíra e Jerusalém não era acessível por estar em poder dos muçulmanos.

Pouco a pouco foi-se desenvolvendo a cidade, primeiro estabeleceu-se uma comunidade eclesiástica permanente a cargo dos restos atopados formada pelo bispo de Iria e os monges de San Paio de Antealtares, espontaneamente assentou-se uma população heterogênea, ainda que fundamentalmente estava formada por emigrantes procedentes das aldeias próximas, que foi aumentando à medida que se desenvolvia a peregrinação por razões religiosas por todo o ocidente peninsular, reforçado pelo privilégio concedido por Ordonho II no ano 915 pelo que se estabelecia que quem quer que permanecer quarenta dias sem ser reclamado como servo passava a ser considerado como um homem livre com direito a residir em Compostela. A cidade foi destruída por Al-Mansur em 10 de Agosto do ano 997, que tão só respeitou a sepultura do apóstolo. Após a volta dos habitantes começou a reconstrução, o bispo Cresconio, a meados do século XI, dotou a cidade dum cinto de fossas e uma muralha como medida defensiva.

No ano 1075 deu-se início à construção da catedral românica refletindo, de imediato, no aumento da peregrinação à Compostela, definindo-a como um lugar de referência religiosa na Europa. Com esse aumento, sua importância, que se vê recompensada também politicamente, tornando-a, na época do Arcebispo Xelmírez, à categoria de metropolitana compostelana (1120). Entre os séculos XII e XIII foi-se artilhando a rede de ruas dentro do recinto amuralhado. A chegada da Peste Negra à cidade seguido de uma forte recessão demográfica, a partir de 1380 recuperou a população e no século XV tinha entre 4.000 e 5.000 habitantes.

A fundação da Universidade no século XVI dá-lhe um novo impulso à atração de Santiago, em particular na Galiza, a qual continuará tendo ainda apesar da descida relativa da importância da cidade.

O estabelecimento da autonomia da Galiza fixado pela capital galega, obtendo como consequência um novo pulo no fim do século XX que contrastou amplamente a descida relativa da importância como cidade universitária ao criarem-se as universidades de Vigo e Corunha.

Festas e Celebrações

  • Festas da Ascensão
  • Festas do Apóstolo

Museus

  • Centro Galego de Arte Contemporânea, museu à base de exposições temporais de obras atuais.
  • Museu do Povo Galego, sobre a etnografia e história de Galiza, no convento de São Domingos de Bonaval.

Arquitetura Religiosa

  • San Martinho Pinario, igreja e mosteiro.
  • Seminário Maior, em San Martinho Pinario
  • Convento de São Francisco do Val de Deus
  • Convento de San Paio de Antealtares
  • Santa Maria Salomé, igreja românica (s.XII) na Rua Nova.
  • Catedral de Santiago de Compostela, o emblema religioso de Galiza e o Caminho de Santiago, com múltiplos pontos de interesse, entre os que destacam no seu interior o Pórtico da Glória do Mestre Mateus e no exterior as fachadas de Pratarias e Obradoiro (conjunto barroco que completa a fachada principal diante do pórtico da Glória em frente ao Paço de Raxoi).

Arquitetura Civil

  • Paço de Raxoi, neoclássico (século XVIII), sede do Concelho e da Presidência da Junta da Galiza, situado na praça do Obradoiro, frente a frente com a catedral.
  • Hospedaria dos Reis Católicos, antigo edifício que passou por diversas ocupações como hospital e centro de peregrinos e hoje é Parador Nacional.
  • Mercado.
  • Cidade da Cultura (Em construção)
  • Universidade. Edifício na atualidade ocupado pela Faculdade de História e Geografia.
  • Colégio de Fonseca. Atualidade sede da reitoria da Universidade de Santiago e da sua Biblioteca Geral, na bela e agradável Praça de Fonseca.
  • Parque da Ferradura.
  • Porta do Caminho, entrada da época medieval.
  • Rua do Franco. Típico lugar de passeio e toma de vinhos.
  • Rua do Vilar. Com múltiplos e chamativos suportais.
  • Praça da Quintana, dividida em Quintana de Vivos e Quintana de Mortos, limitada entre catedral, casa da Parra, Convento de São Paio de Antealtares e a casa da Conga.
  • Esculturas. Em Santiago há uma grande quantidade de esculturas no interior e no exterior de edificações ou em parques, de épocas passadas até a atualidade.